● Hojesexta, 10 de julhover calendário →

A caçada

A bruma neva... Clamor de vitórias e dolos...

Monte São Bernardo sem cães para os alvíssimos!

Cataclismos de heroísmos... O vento gela...

Os cinismos plantando o estandarte;

enviando para todo o universo

novas cartas-de-Vaz-Caminha!...

Os Abéis quase todos muito ruins

a escalar, em lama, a glória...

Cospe os fardos!

Mas sobre a turba adejam os cartazes de Papel e Tinta

como grandes mariposas de sonho queimando-se na luz...

E o maxixe do crime puladinho

na eternização dos três dias... Tripudiares gaios!...

Roubar... Vencer... Viver os respeitosamentes, no crepúsculo...

A velhice e a riqueza têm as mesmas cãs.

A engrenagem trepida... A bruma neva...

Uma síncope: a sereia da polícia

que vai prender um bêbedo no Piques...

Não há mais lugares no boa-vista triangular.

Formigueiro onde todos se mordem e devoram...

O vento gela... Fermentação de ódios egoísmos

para a caninha-do-Ó dos progredires...

Viva virgem vaga desamparada...

Malfadada! Em breve não será mais virgem

nem desamparada!

Terá o amparo de todos os desamparos!

Tossem: O Diário! A Plateia...

Lívidos doze-anos por um tostão

Também quero ler o aniversário dos reis...

Honra ao mérito! Os virtuosos hão-de sempre ser louvados

e retratificados...

mais um crime na Mooca!

Os jornais estampam as aparências

dos grandes que fazem anos, dos criminosos que fazem danos...

Os quarenta-graus das riquezas! O vento gela...

Abandonos! Ideais pálidos!

Perdidos os poetas, os moços, os loucos!

Nada de asas! nada de poesia! nada de alegria!

A bruma neva... Arlequinal!

Mas viva o Ideal! God save the poetry!

– Abade Liszt da minha filha monja,

na Cadillac mansa e glauca da ilusão,

passa o Oswald de Andrade

mariscando gênios entre a multidão!...[60]

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