● Hojesexta, 10 de julhover calendário →

A mae do cativo

Le Christ à Nazareth, aux jours de son enfance

Jouait avec la croix, symbole de sa mort;

''Mère du Polonais! qu'il apprene d'avance''

A combattre et braver les outrages du Sort.

''Qu'il couve dans son sein sa colère et sa joie ;''

Qu’il ses discours prudents distillent le venin,

Comme un abîme obscur que son coeur se reploie :

''À terre, à deux genoux, qu'il rampe comme un nain.''

MICKIEWICZ (A Mãe Polaca)

;I

Ó mãe do cativo! que alegre balanças

A rede que ataste nos galhos da selva!

Melhor tu farias se à pobre criança

Cavasses a cova por baixo da relva.

Ó mãe do cativo! que fias à noite

As roupas do filho na choça da palha!

Melhor tu farias se ao pobre pequeno

Tecesses o pano da branca mortalha.

Misérrima! E ensinas ao triste menino

Que existem virtudes e crimes no mundo

E ensinas ao filho que seja brioso,

Que evite dos vícios o abismo profundo ...

E louca, sacodes nesta alma, inda em trevas,

O raio da espr'ança... Cruel ironia!

E ao pássaro mandas voar no infinito,

Enquanto que o prende cadeia sombria! ...

;II

Ó Mãe! não despertes est'alma que dorme,

Com o verbo sublime do Mártir da Cruz!

O pobre que rola no abismo sem termo

Pra qu'há de sondá-lo... Que morra sem luz.

Não vês no futuro seu negro fadário,

Ó cega divina que cegas de amor?!

Ensina a teu filho — desonra, misérias,

A vida nos crimes — a morte na dor.

Que seja covarde... que marche encurvado...

Que de homem se torne sombrio reptíl.

Nem core de pejo, nem trema de raiva

Se a face lhe cortam com o látego vil.

Arranca-o do leito... seu corpo habitue-se

Ao frio das noites, aos raios do sol.

Na vida — só cabe-lhe a tanga rasgada!

Na morte — só cabe-lhe o roto lençol.

Ensina-o que morda... mas pérfido oculte-se

Bem como a serpente por baixo da chã

Que impávido veja seus pais desonrados,

Que veja sorrindo mancharem-lhe a irmã.

Ensina-lhe as dores de um fero trabalho...

Trabalho que pagam com pútrido pão.

Depois que os amigos açoite no tronco...

Depois que adormeça co'o sono de um cão.

Criança — não trema dos transes de um mártir!

Mancebo — não sonhe delírios de amor!

Marido — que a esposa conduza sorrindo

Ao leito devasso do próprio senhor! ...

São estes os cantos que deves na terra

Ao mísero escravo somente ensinar.

Ó Mãe que balanças a rede selvagem

Que ataste nos troncos do vasto palmar.

;III

Ó Mãe do cativo, que fias à noite

À luz da candeia na choça de palha!

Embala teu filho com essas cantigas...

Ou tece-lhe o pano da branca mortalha.

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