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Às crianças gémeas de um livro

Às crianças gémeas de um livro,

Meu deus livra-nos dos dias estúpidos

e enquanto não livres

deles me vingo e crio

um trilho de larva que lavra

o papel com a mecânica

quântica da maçã

sobre a qual se desfaz a escritura

onde me desvinculo do paraíso

e entro pela boca da noite

fosse ela uma loba

ou os lobos do teu cérebro

nele me alojo entre as tetas

por dentro da seiva

que alimentarão dois irmãos

não os já conhecidos

mas aqueles que colherão as palavras

da árvore dos sonhos

e delas provarão sem medo

distribuindo-as aos outros animais

com a tremura inicial

de quem se olha atravessando

os músculos e os tendões da alegria

nesta fábula serão eles que falam

as dores d’alma sentidas nos dentes

e a poesia com a paixão da descrença

e a fúria da contradição

será o crime dos dias

selado a diversos fluídos

que correrão por entre pedras parideiras.

Quem disse que as pedras não têm feridos?

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