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Balanço

A infância não foi uma manhã de sol:

demorou vários séculos; e era pífia,

em geral, a companhia. Foi melhor,

em parte, a adolescência, pela delícia

do pressentimento da felicidade

na malícia, na molícia, na poesia,

no orgasmo; e pelos livros e amizades.

Um dia, apaixonado, encarei a minha

morte: e eis que ela não sustentou o olhar

e se esvaiu. Desde então é a morte alheia

que me abate. Tarde aprendi a gozar

a juventude, e já me ronda a suspeita

de que jamais serei plenamente adulto:

antes de sê-lo, serei velho. Que ao menos

os deuses façam felizes e maduros

Marcelo e um ou dois dos meus futuros versos.

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