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O conteúdo desta carta

O conteúdo desta carta lançou o espírito de Elizabeth numa agitação em que era difícil determinar se o prazer ou a dor predominavam.

As vagas suspeitas acerca do que Mr. Darcy poderia ter feito para auxiliar o casamento da sua irmã, suspeitas que tivera receios de encorajar, pois demonstravam uma grandeza de alma que dificilmente encontraria em alguém, suspeitas cuja confirmação ao mesmo tempo temia por causa da obrigação que acarretariam, se tinham convertido em realidade além das suas expectativas. Ele os seguira deliberadamente a Londres. Assumira todos os incômodos e mortificações inerentes a uma tal pesquisa. Tivera que suplicar a uma mulher que devia abominar e desprezar. Fora obrigado a se encontrar frequentemente, discutir, persuadir e finalmente subornar o homem que sempre mais desejaria evitar e cujo simples nome lhe era detestável. Tudo isso tinha feito por uma moça que ele não podia nem admirar nem estimar. Seu coração lhe dizia que fora unicamente por sua causa. Mas esta esperança era logo sufocada por outras reflexões e ela sentiu que não era vaidosa a ponto de julgar que Darcy tinha afeição por uma mulher que já o rejeitara, e que ele seria capaz de vencer um sentimento tão natural quanto a repugnância em se relacionar novamente com Wickham. Cunhado de Wickham! O orgulho mais elementar se revoltaria contra isto. Decerto ele já tinha feito muito. Elizabeth até se envergonhava de pensar em tudo o que lhe devia. Mas Darcy tinha apresentado um motivo para a sua interferência, um motivo que não exigia sutilezas de interpretação. Não era natural que ele sentisse que agira erradamente. Era generoso e tinha meios de exercer a sua generosidade. E embora não se considerasse como a causa principal dessa conduta, poderia talvez supor que um resto de afeição por ela tivesse contribuído para os seus esforços numa causa de que dependia diretamente a sua paz de espírito. Era doloroso, muito doloroso, saber que deviam uma tal obrigação a uma pessoa a quem nunca poderiam pagar. Eles deviam a reabilitação de Lydia, sua restituição ao seio da família exclusivamente a Mr. Darcy. Elizabeth se arrependeu amargamente de todos os desprazeres que lhe causara, de todas as palavras duras que lhe havia dirigido. Sentia-se humilhada consigo mesma mas estava orgulhosa dele. E isto porque numa causa de honra, movido pela compaixão, ele conseguira se dominar. E ao pensar na certeza que tanto ela como seu tio sentiam de que a afeição de Mr. Darcy por ela continuava a subsistir, sentia até um certo prazer, embora de mistura a mágoa.

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