● Hojedomingo, 28 de junhover calendário →

Helena

No cômodo onde Menelau vivera

Bateram. Nada. Helena estava morta.

A última aia a entrar fechou a porta,

Levavam linho, ungüento, âmbar e cera.

Noventa e sete anos. Suas pernas

Eram dois secos galhos recurvados.

Seus seios até o umbigo desdobrados

Cobriam-lhe três hérnias bem externas.

Na boca sem um dente os lábios frouxos

Murchavam, ralo pêlo lhe cobria

O sexo que de perto parecia

Um pergaminho antigo de tons roxos.

Maquiaram-lhe as pálpebras vincadas,

Compuseram seus ossos quebradiços,

Deram-lhe à boca uns rubores postiços,

Envolveram-na em faixas perfumadas.

Então chamas onívoras tragaram

A carne que cindiu tantas vontades.

Quando sua sombra idosa entrou no Hades

As sombras dos heróis todas choraram.

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