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O dia inteiro

O dia inteiro perseguindo uma ideia:

vagalumes tontos contra a teia

das especulações, e nenhuma

floração, nem ao menos

um botão incipiente

no recorte da janela

empresta foco ao hipotético jardim.

Longe daqui, de mim

(mais para dentro)

desço no poço de silêncio

que em gerúndio vara madrugadas

ora branco (como lábios de espanto)

ora negro (como cego, como

medo atado à garganta)

segura apenas por um fio, frágil e físsil,

ínfimo ao infinito,

mínimo onde o superlativo esbarra

e é tudo de que disponho

até dispensar o sonho de um chão provável

até que meus pés se cravem

no rosto desta última flor.

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