● Hojesexta, 10 de julhover calendário →

O meu poema teve um esgotamento nervoso

O meu poema teve um esgotamento nervoso.

Já não suporta mais as palavras.

Diz às palavras: palavras

ide embora,

ide procurar outro poema

onde habitar.

O meu poema tem destas coisas

de vez em quando.

Posso vê-lo: ali distendido

em cama de linho muito branco

sem perspectivas ou desejo

quedando-se num silêncio

pálido

como um poema clorótico.

Pergunto-lhe: posso fazer alguma coisa por ti?

mas apenas me fixa o olhar;

fica a li a fitar-me de olhos vazios

e boca seca.

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