● Hojesexta, 10 de julhover calendário →

pague a sopa. faça um forte. taque fogo.

homem-sangue

pura tinta e

tão inteiro

nenhum contracheque

nenhum deus

em ditados

de dormir

quando

cheios

os chiqueiros deste mundo

te entenderam?

te entenderam

caro

querido

nevoeiro?

apanha-gravetos

bolsos semeados

de segredos

seu sorriso

sempre sério

ameaça

o esporte

da inação

saltar por sobre

escolhos quando cães

te perseguem, ó

pássaro

você

impassível

se apresenta

escovando

escombros

de seus ombros

quando os outros

uvas passas

são sombras

inventários

de desgraças

você vive

ó vadio

ó veneno em

voz alta

grande

agressor

dos gorros

dos

gananciosos

a inveja rói

a barra

da sua bata

mas como

quem bate

escova

escombros

de seus ombros

quem sabe

abrir as asas

homem-sangue?

quem te ataca,

nós sabemos,

se consome.

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