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Poema

Tosco dizer de coisas fluidas,

Gume de rocha rasga o vento:

Semanas tantas de existir

E de viver -um só momento.

Prisma empanado da retina

Que acalanta mundos sem prumo,

A luz que o fere perde o rumo,

Aclara a linfa submarina:

Prédios mergulham ramos de cimento,

Neons fazem dos olhos coágulos de seixos,

E esquinas lanham flancos desse rio sem peixes

De que sou fonte e náufrago no inteiro.

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