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Prometeu Prometeu

Entre cacto e gato há um vaso de versos,

no branco das palavras nasce a lua.

(Todos nós, minha amiga, somos irmãos conversos

virados para dentro, para a nossa rua;

só que nuns acontece ter o tejo aberto

um sossego inaudível que nunca será teu.)

No mais, é mais rochedo que deserto,

é mais arqueologia do que minicéu.

Por mim, transformo as letras numa sopa

- de cultura, ora pois, onde me nasço todo

sem rede e sem redil, só olhos e só boca:

nas palavras escavo cavernas segredadas,

concavidades mansas onde há barcos e couves.

Não agrado a ninguém. E tu, se agradas,

é neste meu martelo que não ouves.

No mais, é mais barulho que varejo,

a perna assim, um braço assado, ao fogo.

Porque eu é que te vivo e que te vejo.

Que te crio, que te mato, que te morro.

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