● Hojesexta, 10 de julhover calendário →

Aberto todos os dias

O mundo

aberto lá fora. Difícil cansar-me dele. O céu

a entrar pela janela. O músculo do homem comum.

As laranjeiras de Córdova. Brindar com

água da

chuva. Os peixes do Nilo urinando na

mesma água onde nadam. O vinho que fez

um estágio nas caves do Douro

e passou. A lua a quem eu uivo a cada noite

(em segredo). Um relâmpago à janela:

electrocardiograma

de Deus. A orgia

dos seixos na espuma. Um ministro que mentiu.

Cerejas no mês de Maio. Sardinhas

no mês

de Junho. Os pés que saem da areia ornados

com missangas de prata. Os enfermeiros

exaustos que saem de

mais um turno. A Vitória de Samotrácia aparecendo atrasada

perguntando quelle heure est-il? à estátua da

Vénus de Milo. Jesus Cristo

num

decote. A maldade de Putin. A carne

de um dióspiro. E o

ministro não se demite. Nem um

só dia desperdiçado. Estar à disposição do mundo. Como

quem ergue a verdade com a luva

da linguagem.

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