● Hojesexta, 10 de julhover calendário →

Termos de utilização

Se vem à espera

leitor de que

nas linhas deste poema “os barcos de pesca

divisem uma vertigem de pedra”

“as telhas das casas irrompam

(em coágulos de carne)

numa indómita loucura” ou

“o espinho agudo do tempo arda fervorosamente

numa mudez de fantasma”

é meu dever informá-lo de que aqui

não vai

ser assim. Tal não vai acontecer. Aqui

as telhas das casas são

meras escamas molhadas (os barcos

à falta de oiro

regressam repletos de prata) o

tempo consome-se lento

como um sapato

ou a

paciência.

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