assim se diz está chovendo
enquanto aponto
o lápis
. fecho os olhos
e abro a janela do poema – para que entrem
todos os insetos
mas está chovendo
as gostas respingam e molham o chão
uma imensa tempestade cobre a paisagem
eu abro os olhos pego um livro
na estante e
vejo
é um dia de verão
sylvia plath está sentada
diante da janela vendo a chuva que cai
é dia 1º de julho
está quente úmido fumegante
e chove torrencialmente
ela pega uma caneta sem tirar os olhos
do molhado está tentada a escrever um
poema
ela apoia a caneta no papel
e anota: nunca esquecer
da carta de recusa que um dia recebi
contendo três linhas
. “após o aguaceiro
poemas intitulados chuva
inundam o país inteiro”