Canto Nono V
Ainda o prato do dia era em contagem decrescente
e projecto especial era o homem do mês
e o único patrão era deus
e esse estava sempre ausente
como alguém que tem medo de parecer ridículo
se fizer tudo o que lhe apetece em cima de ti
ainda ao Rimbaud on my shoulder, lhe dizia
shut the fuck off!
e accionista era um local difícil de visitar
e expludo, não olhes para mim
e Não mintas era abrir por aqui
e Tens os meus livros todos? era hã?
e Encanta-me era Quando acabares de olhar devolve-me
e Rage against everything, Meio-Gordo
e Lote gold, Tudo menos tu
ainda se perdia a virgindade com um dente-de-leão
e dizia-se Estive dentro
com o mesmo carisma de Feito à mão
ainda à pergunta Queres cheirar o meu raminho?
se ouvia, Não
ainda responsabilidade era alegria
e ninguém fechava a sua actividade
porque actividade era menstruação
e caçapo coelho pequeno
e proteja os seus bens o início da vida moderna
e charme era ir buscar alguém para puxar uma luva
com os dentes
ou ir beber um grogue à cova da moura
ainda cemitério era pachorra e colapsar era cair no amor
e já desperdiçávamos tempo com tempo
e o que se encontrava no centro do Porto
era diferente daquilo que se perdia no centro de Lisboa
era como aprender o sex machine seguindo as instruções
do clássico, Bate 69, Bate!
e do hit the road João numa dança de salão
desde que friccionasse cabedal e lã
e havia um bar que era a única coisa que havia
onde se entrava com o cabelo pintado de branco
e se saía com o melhor rabo da festa
e para os que ficavam a lavar a cabeça
tudo acabava com uma música de baile
ouvida no wc das senhoras
ainda iniciação a 3 era falta de assunto
e sweet jane era uma posta às lascas
e geografia Pastel de Chaves
e quando não se sabia mais nada
dizia-se que era Count Basie
e dignidade era conversa de engate
e beber calado era uma linha de fundo
Rosie, Rosie, Rosie
e modernismo era dançar sentado
e intelectualidade era fazer de bom
e mother fucker era como as mães se tratavam
entre elas
queria-se o castigo e não a consequência
e o absinto era uma residência literária
aberta 36 horas por dia
e para alguns era de nascença.


