Conselhos do mercado ao cidadão pacato
Ninguém tem pena de ti, ó burro manco,
comido de lazeira, carregado de danos.
Ninguém tem pena de ti, ó burro manco,
comido de lazeira, carregado de danos.
Não te iluda tua vesguice:
Ficas abandonado no caminho,
sem comida, ao relento,
se é que não passa um lobo e te devora
– os muros de concreto não têm dono
do lado de fora. Porém,
se pagaste teus deveres, pegaste tua migalha,
raspa fora, então, direto pra TV, canalha,
senão, pensa bem,
passa um bonde (ou o caveirão)
e te escangalha.