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Felicidade

Meus olhos, de tanto refletirem a paisagem,

já devem também ter ficado verdes,

porque meus lábios estão me segredando

palavras de esperança,

Mas, eis que eu, andarengo e triste,

de súbito estremeço vendo, lá embaixo,

na aba de um serro todo penteado,

à porta da casa que roseiras tentaculam de flores,

um casal de colonos lavradores enlaçados

acenando, acenando para o trem...

Que ingenuidade naqueles gestos simples!

Quanta bondade sem interesse

naquele “boa viagem”que eles dizem com as mãos!...

Pureza... Tranqüilidade... Saúde... Solidão...

Sinto um desejo louco de sair gritando:

— Achei-a! achei-a! EiL-a — a Felicidade!

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