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Sor aqua

Entre os galhos negros da capororoca,

que estranho fruto luminoso amadurece?

( É a lua...)

Há um véu de neblina sobre o campo

A chuva de ontem foi tão boa para os sapos...

Cheira a brejo.

Malícias de água, bisbilhos.

Ser um talo de erva,

ser humilde e bom como a chuva no capim...

Não pensar que há lábios mortos que têm sede,

que há pobrezinhos na penumbra de hospitais...

Não pensar em mim.

Irmã Chuva,

Eu quero dormir sobre a carícia fluida e fria dos teus dedos,

dos teus mil dedos sobre mim que vão e vem,

(a chuva ri, a chuva canta quando cai...)

quero aprender a ser uma água dócil,

para abençoar a minha dor.

— Amém.

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