Minuano
Ao Liberato
Este vento faz pensar no campo, meus amigos,
Este vento vem de longe, vem do pampa e do céu.
Olá compadre, levanta a poeira em corrupios,
assobia e zune encanado na aba do chapéu.
Curvo o chorão arrepia a grenha fofa,
giram na dança de roda as folhas mortas,
chaminés bóiam fumaça horizontal ao sopro louco
e a vaia fina fura a frincha das portas.
Olá compadre, mais alto mais alto!
As ondas roxas do rio rolando a espuma
batem nas pedras da praia o tapa claro...
Esfarrapadas, nuvens nuvens galopeiam
no céu gelado, altura azul.
Este vento macho é um batismo de orgulho:
quando passa lava a cara enfuna o peito,
varre a cidade onde eu nasci sobre a coxilha
Não sou daqui, sou lá de fora...
Ouço o meu grito gritar na voz do vento:
― Mano Poeta, se enganche na minha garupa!
Comedor de horizontes,
meu compadre andarengo, entra!