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Minuano

Ao Liberato

Este vento faz pensar no campo, meus amigos,

Este vento vem de longe, vem do pampa e do céu.

Olá compadre, levanta a poeira em corrupios,

assobia e zune encanado na aba do chapéu.

Curvo o chorão arrepia a grenha fofa,

giram na dança de roda as folhas mortas,

chaminés bóiam fumaça horizontal ao sopro louco

e a vaia fina fura a frincha das portas.

Olá compadre, mais alto mais alto!

As ondas roxas do rio rolando a espuma

batem nas pedras da praia o tapa claro...

Esfarrapadas, nuvens nuvens galopeiam

no céu gelado, altura azul.

Este vento macho é um batismo de orgulho:

quando passa lava a cara enfuna o peito,

varre a cidade onde eu nasci sobre a coxilha

Não sou daqui, sou lá de fora...

Ouço o meu grito gritar na voz do vento:

― Mano Poeta, se enganche na minha garupa!

Comedor de horizontes,

meu compadre andarengo, entra!

Que bem me faz o teu galope de três dias

quando se atufa zunindo na noite gelada...

O’ mano

Minuano

upa upa

na garupa!

Casuarinas cinamomos pinhais

largo lamento gemido imenso, vento!

minha infância tem a voz do vento virgem:

ele ventava sobre o rancho onde morei.

Todas as vozes numa voz, todas as dores numa dor,

todas as raivas na raiva do meu vento

Que bem me faz! mais alto compadre!

derruba a casa! Me leva junto! Eu quero o longe!

Eu sou o irmão das solidões sem sentido...

Upa upa sobre o pampa e sobre o mar...

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