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História natural

Detrás do taxidermista, há a palha,

detrás do rinoceronte, a savana,

detrás desta escritura só a noite,

a noite que galopa até o fronte.

Na asa da mariposa assoma a lua,

na cabeça do alfinete brilha o sol,

nestas linhas reverbera um sol negro,

o astro que ora sobe no horizonte.

O animal dissecado da sintaxe

provê o verbo, o bastidor e a legenda

duma coleção mais morta que os mortos.

No gabinete de história natural

o visitante-leitor detém-se face

a mamíferos e insetos reluzentes.

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