● Hojesexta, 10 de julhover calendário →

Janela

Dias depois, ainda na cama,

não conseguia escolher a melhor saída,

que chão frio podia suportar os meus pés.

O peso das tuas costas, que estavam só

do outro lado, desceu até se somar

ao meu próprio peso sobre os meus pés descalços -

e eu sem saber a que parte da casa podia ligá-los.

Uma janela surpreendente, esquadria perfeita

agora à minha direita

e ar que entrou: talvez pudéssemos

de facto ser respiráveis.

A amanhecer ao longe um azul lento e claro.

Demasiado mais claro

em muito pouco tempo,

atrás da escola, não chegaria a cegar ninguém:

as nuvens mais leves, como os pesadelos,

resgataram antes as possíveis vítimas,

inocentes não declarados que circulam sem saberem

da sua condição ou destino.

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