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Jardim

Não há pedras preciosas, não há cofres,

nem tesouros enterrados para brincar aos piratas.

Ninguém conversa entre si – mudos, dirás, ou desinteressados.

Os elementos presentes têm certas cores,

uma ou outra forma, cheiro, e nada mais.

Nenhum valoriza essa extraordinária invenção do alfabeto,

nem a última novidade da engenharia.

Por estes lados a palavra cimento é

uma indelicadeza.

Não falam, isso é certo, mas talvez ouçam.

Recebem, sim: água e palavrinhas que fazem crescer

(as menos inúteis do dicionário.)

E darão algo, certamente, que o mundo foi feito assim:

de trocas inumeráveis,

mas o que dão não se sabe, apenas se sente: dão beleza.

Flores, sim, pequenas ervas circunscritas ao seu sítio

- o da maldade inconsequente –

arbustos indecisos entre crescerem mais

ou ficarem ali a olhar de perto

formigas e outras espécies pacíficas.

E depois: quatro árvores altas. Eis o jardim.

Porém, a autoridade deste não vem das árvores,

mas sim de pequenos pormenores.

Por exemplo: o homem de negócios dá a volta

para não pisar uma flor minúscula.

Chegará atrasado à reunião?

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