● Hojesexta, 10 de julhover calendário →

Majestade caída

Esse cornoide deus funambulesco

Em torno ao qual as Potestades rugem,

Lembra os trovões, que tétricos estrugem,

No riso alvar de truão carnavalesco.

De ironias o momo picaresco

Abre-lhe a boca e uns dentes de ferrugem,

Verdes gengivas de ácida salsugem

Mostra e parece um Sátiro dantesco.

Mas ninguém nota as cóleras horríveis,

Os chascos, os sarcasmos impassíveis

Dessa estranha e tremenda Majestade.

Do torvo deus hediondo, atroz, nefando,

Senil, que embora, rindo, está chorando

Os Noivados em flor da Mocidade!

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