O círculo
À memória de meu pai
E se não houvesse o Inverno, esquálida brancura
Pendendo das árvores,
Sua seca respiração em pose, sustida;
Se o ritmo das estações reverberasse nas águas
O que em ti foi tumulto, a cor em si bemol
Do figo, matiz de verde sobre o ouro
Da encosta inclinando-se na baía,
E um pássaro se intrometesse na imobilidade
Em que pairas, lira que te humedecesse a pele escamada
E o longo círculo onde vais recolhendo
A voz,
Onde pressinto, grave, todos os percursos do silêncio,
O que em ti foi música e regressa pelos mesmos
Nocturnos caminhos onde a praça se suspende
E o tempo se esvaiu,
— lábil, intumescida, só a folha
e da luz o que a gelosia retalha, sombra
textuando-se no lajedo sossegado —
Não fora isso e a linha entre continentes,
Ao de leve esfarelando-se em teu corpo,
E a mão que um dia se abriu e ora
