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O meu amado chega e enquanto despe as sandálias de couro

O meu amado chega e enquanto despe as sandálias de couro

marca com o seu perfume as fronteiras do meu quarto.

Solta a mão e cria barcos sem rumo no meu corpo.Planta árvores

de seiva e folhas. Dorme sobre o cansaço embalado pelo momento

breve da esperança.

Traz-me laranjas. Divide comigo os intervalos da vida.

Depois parte.

Deixa perdidas como um sonho as belas sandálias de couro.

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