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O poema

Corredor do tempo esquecido

Onde o eco responde ao eco,

Em vez de janelas, reflexo

De espelho a espelho, refletido.

Que passos repisando passos

Parados vão? A horas mortas,

Fria, uma presença esvoaça

De leves dedos, que abrem portas.

Longo é o caminho. Em qualquer parte

Rei dos Ratos rói os brinquedos.

Dos quatro cantos, lá o quarto

Sombras cochicham os teus segredos.

Onde a janela que se abria

Ao pôr do sol? Andando em frente,

Andando, andando, eu tocaria

No fim da terra, o ouro do poente.

Iriavam-se os cristais do lustre,

Na sala escura o espelho que arde!

Pulava a cortina, de susto,

Ao primeiro sopro da tarde.

Mas tudo agora é tão distante!

O rato rói o fio da história.

Só o arrepio de um instante

Sobe à surdina da memória...

Súbito, a hora morta no tempo

Amadurece como um fruto!

No misterioso aroma, o poema

Recolhe a essência de um minuto.

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