● Hojesexta, 10 de julhover calendário →

O rebanho

Oh! minhas alucinações!

Vi os deputados, chapéus altos,

sob o pálio vesperal, feito de mangas-rosas,

saírem de mãos dadas do Congresso...

Como um possesso num acesso em meus aplausos

aos salvadores do meu estado amado!...

Desciam, inteligentes, de mãos dadas,

entre o trepidar dos táxis vascolejantes,

a rua Marechal Deodoro...

Oh! minhas alucinações!

Como um possesso num acesso em meus aplausos

aos heróis do meu estado amado!...

E as esperanças de ver tudo salvo!

Duas mil reformas, três projetos...

Emigram os futuros noturnos...

E verde, verde, verde!...

Oh! minhas alucinações!

Mas os deputados, chapéus altos,

mudavam-se pouco a pouco em cabras!

Crescem-lhes os cornos, descem-lhes as barbinhas...

E vi que os chapéus altos do meu estado amado,

com os triângulos de madeira no pescoço,

nos verdes esperanças, sob as franjas de ouro da tarde,

se punham a pastar

rente do palácio do senhor presidente...

Oh! minhas alucinações!

Textos relacionados