● Hojesexta, 10 de julhover calendário →

Poema

Deixo que venha

se aproxime ao de leve

pé ante pé até ao meu ouvido

Enquanto no peito o coração

estremece

e se apressa no sangue enfebrecido

Primeiro a floresta e em seguida

o bosque

mais bruma do que neve no tecido

Do poema que cresce e o papel absorve

verso a verso primeiro

em cada desabrigo

Toca então a torpeza e agacha-se

sagaz

um lobo faminto e recolhido

Ele trepa de manso e logo tão voraz

que da luz é a noz

e depois o ruído

Toma ágil o caminho

e em seguida o atalho

corre em alcateia ou fugindo sozinho

Na calada da noite desloca-se e traz

consigo o luar

com vestido de arminho

Sinto-o quando chega no arrepio

da pele, na vertigem selada

do pulso recolhido

À medida que escrevo

e o entorno no sonho

o dispo sem pressa e o deito comigo

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