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Português

Se a língua ganha

a dimensão da escrita

E a escrita toma

a dimensão do mundo

Descer é preciso até ao fundo

na busca das raízes da saliva

que na boca vão misturar tudo

Mas há ainda a pressa do papel

que no tacto navega a brusca seda

Se a sede se disfarça sob a pele

descendo pela escrita essa vereda

E já se inventa

Enlaça

Ou se insinua

Se entrelaça a roca e o bordado

que as palavras tecendo

lado a lado

querem do país a alma nua

Aí podes parar

e retornar à boca

Esse espaço de beijo e de cinzel

Onde a fala retoma a língua toda

trocando a ternura

pelo fel

Um lado após o outro

a dimensão está dita

O tempo a confundir qualquer abraço

entre o visto e o escrito

Espelho e aço

Nesta fundura boa

e mar profundo

Para depois subir a pulso

O mundo

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