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Salvador, 1996-2013

Dos acidentes que a modelam

em luz e sal, essas escarpas

são os desenhos que mais pesam,

a vida em queda dos sem mapa.

Ali do alto, que é abrupto,

a cidade é curva contínua,

sinuosidade negativa,

abre-se em praias e ravinas.

Disseram gorda em seu amplexo,

digo salitre, vento Atlântico:

salga e apodrece em paradoxo.

Aqui se canta um velho cântico:

lá no São Bento, anjos mulatos;

em toda cúpula e pilastra

pesam arcanos e Evangelhos,

da vida menos a mais vasta.

No Santo Antônio Além do Carmo

o casario nada ensina;

sim, a não ser o som amargo

do que ruindo contamina.

Tudo externado? Não o âmago,

por isso engana quem a vê

cidade-entrega, as cores gritam

em cada esquina o seu não ter.

A precisão só vem de cima –

luz em ladeiras, luz marinha,

a luz em flor, a que combina

a dor do nu, o mel da vinha.

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