● Hojesexta, 10 de julhover calendário →

Substância escura

Ele vinha sentar-se junto à chávena

falando devagar com a voz grave

amável e feroz de quem achava

a chave dos seus dias nas palavras

O braço pontual como o anel

vivo dum rio vivo repousava

entre as margens paradas da instável

mesa parede rede invariável

A manga do casaco a luz da tarde

cobria de silêncio em cada pausa

A voz substância escura como a tarde

retomava o trabalho como a poalha

ilúcida da tarde sobre a toalha

inútil do crepúsculo Ele estava

sentado entre as palavras e trazia

no silêncio da mão uma vara de prata

Textos relacionados