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A nossa aldeia

Era uma aldeia sem luz

directa. Uma aldeia de paredes

amarelas cujos habitantes reagiam

à sombra das palavras e as mediam

(de que tamanho o verbo?),

lavavam, preparavam para os outros.

Era uma aldeia onde se decidia a palavra

do dia seguinte, a ideia do dia seguinte,

a vida e a morte do dia seguinte.

Era uma aldeia com um plano:

o plano era simples: o plano era concreto:

o plano era difícil como a luz.

Era uma aldeia interdita na possibilidade

do sol mas tão plena de esforço na linguagem.

Era uma aldeia cujos habitantes só poderiam

comprar uma aldeia com janelas, uma aldeia

cor de mundo, se os outros habitantes,

os que estavam lá fora, lessem realmente

as palavras que eles para eles preparavam.

Era, apesar de tudo, uma velha aldeia

sem ressentimentos.

Porque a nossa aldeia era única.

Era a única aldeia no centro

da cidade.

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