● Hojesexta, 10 de julhover calendário →

Teve nessa tarde uma criança

Teve nessa tarde uma criança

desconhecida a segurar-lhe na mão.

Uma criança agarrada com força, uma criança

que apanhou em flagrante a sua mão vazia

e a ocupou como território de criança.

O dia começara assim: primeiro o rio, depois o verde

no terreno da família, agora o mar.

Foi na terceira tentativa que encontrou a criança,

criança a encontrá-la de repente, quando ia caindo

o sol. Criança possessiva agarrada à apatia desse dia

rimado: criança rima com esperança, criança rima.

E ela tão sem linguagem, tão sem versos possíveis,

tão sem a criança anterior. Foi na terceira caminhada,

quando a incerteza parecia cada vez maior, quando

o pensamento não acompanhava o passo decidido

junto à marginal, quando o pai da criança lhe falou

no perigo de dar a mão a estranhos, sem entender que

o verdadeiro perigo

era a mão outra vez vazia de criança.

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