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Lílitcha!

Em lugar de uma carta

Fumo de tabaco rói o ar.

O quarto —

um capítulo do inferno de Krutchónikh*.

Recorda —

atrás desta janela

pela primeira vez

apertei tuas mãos, atónito.

Hoje te sentas,

no coração — aço.

Um dia mais

e me expulsarás,

talvez, com zanga.

No teu hall escuro longamente o braço,

trémulo, se recusa a entrar na manga.

Sairei correndo,

lançarei meu corpo à rua.

Transtornado,

tornado

louco pelo desespero.

Não o consintas,

meu amor, meu bem,

digamos até logo agora.

De qualquer forma

o meu amor

— duro fardo por certo —

pesará sobre ti

onde quer que te encontres.

Deixa que o fel da mágoa ressentida

num último grito estronde.

Quando um boi está morto de trabalho

ele se vai

e se deita na água fria.

Afora o teu amor

para mim

não há mar,

e a dor do teu amor nem a lágrima alivia.

Quando o elefante cansado quer repouso

ele jaz como um rei na areia ardente.

Afora o teu amor

para mim

não há sol,

e eu não sei onde estás e com quem.

Se ela assim torturasse um poeta,

ele

trocaria sua amada por dinheiro e glória,

mas a mim

nenhum som me importa

afora o som do teu nome que eu adoro.

E não me lançarei no abismo,

e não beberei veneno,

e não poderei apertar na têmpora o gatilho.

Afora

o teu olhar

nenhuma lâmina me atrai com seu brilho.

Amanhã esquecerás

que eu te pus num pedestal,

que incendiei de amor uma alma livre,

e os dias vãos — rodopiante carnaval —

dispersarão as folhas dos meus livros...

Acaso as folhas secas destes versos

far-te-ão parar,

respiração opressa?

Deixa-me ao menos

arrelvar numa última carícia

teu passo que se apressa.

Tradução de Augusto de Campos · original em outro

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