● Hojesexta, 10 de julhover calendário →

Noiva da agonia

Trêmula e só, de um túmulo surgindo,

Aparição dos ermos desolados,

Trazes na face os frios tons magoados,

De quem anda por túmulos dormindo...

A alta cabeça no esplendor, cingindo

Cabelos de reflexos irisados,

Por entre aureolas de clarões prateados,

Lembras o aspecto de um luar diluindo...

Não és, no entanto, a torva Morte horrenda,

Atra, sinistra, gélida, tremenda,

Que as avalanches da Ilusão governa...

Mas ah! és da Agonia a Noiva triste

Que os longos braços lívidos abriste

Para abraçar-me para a Vida eterna!

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