● Hojesexta, 10 de julhover calendário →

Rui Costa, cabeçudo, por tudo

Começou com um sinal ao lado dos teus óculos escuros, Não,

o princípio foi um rebordo à noite onde quiseste ensinar-me

a soletração de versos, Não, reinicio: o pequeno almoço

num café pequeno numa rua comprida com pernas para o mar

e dom rodrigos enxovalhos de lustro postos à mesa, Não

há-de ter sido só quando esticámos as mãos e elas escorregaram

e nos encostámos aos peitos os dois chocalhavam tu riste-te eu

fiz-me de parva, Se calhar foi aí porque escrevemos sobre isso

entendendo cada um à sua maneira como sempre se

fez, Eu adverti logo aliás não tinha nenhuma esperança

que viéssemos a coincidir alguma vez e tu achaste claro

muito bem feito porque assim queríamos constantemente

aprofundarmo-nos sempre aos apalpões a ver onde derretia

quando lá no fundo doía não encaixarmos perfeita

mente, Só que sim é um privilégio acontece menos

vezes do que os dedos encontrarmos alguém

a quem queiramos continuar a bater como

disseste que me fazias a vida toda quando apertaste por

baixo dos meus braços a resistência dos materiais, E há-de

ter sido gentileza não justificares apesar do orgulho

de cumprir proezas não contamos os princípios nem os fins

fico pois à espera que apareças atrás de um sms com uma tarte

de maçã encostada ao focinho, Que não te cansa o jogo de fazeres

todos os gestos importantes entre portas para depois te pores ao

fresco como se nada fosse e largas daqui porque tens um handicap

muito menor e patas maiores e queres ver outros bichos cheios

de perguntas, Por mim punha era o vestido de Espanha para

rodopiarmos aos casais de sucesso entre os bem-pensantes com

licença vou escrever sobre os teus livros todos muitos palavrões

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