● Hojesexta, 10 de julhover calendário →

Vesperal

Tardes de ouro para harpas dedilhadas

Por sacras solenidades

De catedrais em pompa, iluminadas

Com rituais majestades.

Tardes para quebrantos e surdinas

E salmos virgens e cantos

De vozes celestiais, de vozes finas

De surdinas e quebrantos...

Quando através de altas vidraçarias

De estilos góticos, graves,

O sol, no poente, abre tapeçarias,

Resplandecendo nas naves...

Tardes augustas, bíblicas, serenas,

Com silencio de ascetérios

E aromas leves, castos, de açucenas

Nos claros ares sidéreos...

Tardes de campos repousados, quietos,

Nos longes emocionantes...

De rebanhos saudosos, de secretos

Desejos vagos, errantes...

Ó Tardes de Beethoven, de sonatas,

De um sentimento aéreo e velho...

Tardes da antiga limpidez das pratas,

De Epístolas do Evangelho!...

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