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Morrer

Pois morrer é apenas isto:

cerrar os olhos vazios

e esquecer o que foi visto;

é não supor-se infinito,

mas antes fáustico e ambíguo,

jogral entre a história e o mito;

é despedir-se em surdina,

sem epitáfio melífluo

ou testamento sovina;

é talvez como despir

o que em vida não vestia

e agora é inútil vestir;

é nada deixar aqui:

memória, pecúlio, estirpe,

sequer um traço de si;

é findar-se como um círio

em cuja luz tudo expira

sem êxtase nem martírio.

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