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Testamento

Sem trilhas no labirinto,

solitário, a passo lento,

leio o infausto testamento

de um infante agora extinto.

O que ensina esse lamento

a quem o escuta e, faminto,

só o aprende à luz do instinto,

e nunca à do entendimento?

Não será acaso o vento

o que nas vértebras sinto?

Ou será que apenas minto,

e mente-me o pensamento?

Não há dor nem sofrimento

no que leio, mas consinto

em que ali tudo está tinto

do mais fáustico argumento:

não o aroma do jacinto

nem a paz do esquecimento,

mas o grifo que, violento,

verte o verde do absinto.

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