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No leito fundo

No leito fundo em que descansas,

em meio às larvas e aos livores,

longe do mundo e dos terrores

que te infundia o aço das lanças;

longe dos reis e dos senhores

que te esqueceram nas andanças,

longe das taças e das danças,

e dos feéricos rumores;

longe das cálidas crianças

que ateavam fogo aos corredores

e se expandiam, quais vapores,

entre as alfaias e as faianças

de tua herdade, cujas flores

eram fatídicas e mansas,

mas que se abriam, fluidas tranças,

quando as tangiam teus pastores;

longe do fel, do horror, das dores,

é que recolho essas lembranças

e as deito agora, já sem cores,

no leito fundo em que descansas.

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