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Vai tudo em mim

Vai tudo em mim, enfim, se despedindo

neste pomar sem ramos ou maçãs,

sem sol, sem hera ou relva, sem manhãs

que me recordem o que foi e é findo.

Tudo se faz sombrio, e as sombras vãs

do que eu não fui agora vão cobrindo

os ermos epitáfios, indo e vindo

entre as hermas e as lápides mais chãs.

Tudo se esvai num remoinho infindo

de atávicas moléculas malsãs:

essas do avô, do pai e das irmãs

que o sangue foi à alma transmitindo.

Tudo o que eu fui em mim de mim fugindo

em meu encalço vem me perseguindo.

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