● Hojesexta, 10 de julhover calendário →

Que poderei do mundo ja querer,

Que poderei do mundo ja querer,

Pois no mesmo em que puz tamanho amor,

Não vi senão desgôsto e desfavor,

E morte, em fim; que mais não póde ser?

Pois me não farta a vida de viver,

Pois ja sei que não mata grande dor,

Se houver cousa que mágoa dê maior,

Eu a verei; que tudo posso ver.

A Morte, a meu pezar, me assegurou

De quanto mal me vinha: ja perdi

O que a perder o medo me ensinou.

Na vida desamor somente vi,

Na morte a grande dor que me ficou:

Parece que para isto só nasci.

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