● Hojesexta, 10 de julhover calendário →

Se as penas com que Amor tão mal me trata

Se as penas com que Amor tão mal me trata

Permittirem que eu tanto viva dellas,

Que veja escuro o lume das estrellas,

Em cuja vista o meu se accende e mata;

E se o tempo, que tudo desbarata,

Seccar as frescas rosas, sem colhellas,

Deixando a linda côr das tranças bellas

Mudada de ouro fino em fina prata;

Tambem, Senhora, então vereis mudado

O pensamento e a aspereza vossa,

Quando não sirva ja sua mudança.

Ver-vos-heis suspirar por o passado,

Em tempo quando executar-se possa

No vosso arrepender minha vingança.

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