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Rimas
Luís de Camões

Rimas

Estevão López · 1595 · 64 textos
Poemas neste livro · 64
Amor é fogo que arde sem se ver
1595
Porque quereis, Senhora, que offereça
0:57
1595
Presença bella, angelica figura,
1:06
1595
Quando a suprema dor muito me aperta,
1:02
1595
Quando se vir com água o fogo arder,
1:04
1595
Que me quereis perpétuas saudades?
0:59
1595
Que modo tão subtil da natureza
0:57
1595
Que poderei do mundo ja querer,
0:54
1595
Quem vê, Senhora, claro e manifesto
1:00
1595
Se as penas com que Amor tão mal me trata
0:57
1595
Se pena por amar-vos se merece,
1:05
1595
Se tanta pena tenho merecida
0:58
1595
Se tomo a minha pena em penitencia
0:59
1595
Sempre a Razão vencida foi de Amor;
0:53
1595
Sempre, cruel Senhora, receei,
1:22
1595
Tanto de meu estado me acho incerto,
1595
Vossos olhos, Senhora, que competem
0:58
1595
Transforma-se o amador na cousa amada,
0:59
1595
Vencido está de amor
0:42
1595
Vós, que de olhos suaves e serenos,
0:55
1595
Leda serenidade deleitosa,
0:59
1595
Lembranças saudosas, se cuidais
0:54
1595
Males, que contra mim vos conjurastes,
0:59
1595
Mudão-se os tempos, mudão-se as vontades,
0:58
1595
Ditoso seja aquelle que somente
1:08
1595
Na desesperação ja repousava
0:53
1595
No mundo poucos annos e cansados
1:01
1595
Despois que quiz Amor que eu só passasse
0:59
1595
No mundo quiz o Tempo que se achasse
0:56
1595
No tempo que de amor viver sohia,
0:55
1595
Doces lembranças da passada gloria,
1:05
1595
O culto divinal se celebrava
0:55
1595
O fogo que na branda cera ardia,
0:59
1595
Oh como se me alonga de anno em ano
1:04
1595
Oh quão caro me custa o entender-te,
1:12
1595
Em prisões baixas fui hum tempo atado;
0:56
1595
Passo por meus trabalhos tão isento
1:00
1595
Pede o desejo, Dama, que vos veja:
0:59
1595
Pensamentos, que agora novamente
0:56
1595
Formosos olhos, que na idade nossa
0:52
1595
Em quanto quiz fortuna que tivesse
1595
Pois meus olhos não cansão de chorar
1:09
1595
Foi ja n'hum tempo doce cousa amar,
1595
Por sua Nympha Céphalo deixava
1:00
1595
Está o lascivo e doce passarinho
0:59
1595
Esfôrço grande, igual ao pensamento,
0:56
1595
Erros meus, ma Fortuna, Amor ardente
0:56
1595
Gentil Senhora, se a Fortuna imiga,
1:02
1595
Grão tempo ha ja que soube da Ventura
1:00
1595
Guardando em mi a Sorte o seu direito.
0:53
1595
Ja he tempo, ja, que minha confiança
1:00
1595
Bem sei, Amor, que he certo o que receio;
0:56
1595
Amor, que o gesto humano na alma escreve,
0:56
1595
Aquella fera humana que enriquece
0:55
1595
Amor, com a esperança ja perdida
0:56
1595
Ah Fortuna cruel! ah duros Fados!
1:13
1595
Busque Amor novas artes, novo engenho
0:59
1595
Chara minha inimiga, em cuja mão
0:57
1595
A Morte, que da vida o nó desata,
1:02
1595
Com grandes esperanças ja cantei,
0:57
1595
De vós me parto, ó vida, e em tal mudança
1:10
1595
Como quando do mar tempestuoso
1:01
1595
Como fizeste, ó Porcia, tal ferida?
1:12
1595
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
1:48
1595