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Se tomo a minha pena em penitencia

Se tomo a minha pena em penitencia

Do error em que cahio o pensamento,

Não abrando, mas dóbro meu tormento,

Que a tanto, e mais, obriga a paciencia.

E se huma côr de morto na apparencia,

Hum espalhar suspiros vãos ao vento

Não faz em vós, Senhora, movimento,

Fique o meu mal em vossa consciencia.

Mas se de qualquer aspera mudança

Toda vontade isenta Amor castiga,

(Como eu vejo no mal que me condena)

E se em vós não se entende haver vingança,

Será forçado (pois Amor me obriga)

Que eu só da culpa vossa pague a pena.

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