● Hojesexta, 10 de julhover calendário →

A Morte, que da vida o nó desata,

A Morte, que da vida o nó desata,

Os nós, que dá o Amor, cortar quizera

Co'a ausencia, que he sôbre elle espada fera,

E co'o tempo, que tudo desbarata.

Duas contrárias, que huma a outra mata,

A Morte contra Amor junta e altera;

Huma, Razão contra a Fortuna austera;

Outra, contra a Razão Fortuna ingrata.

Mas mostre a sua imperial potencia

A Morte em apartar de hum corpo a alma,

O Amor n'hum corpo duas almas una;

Para que assi triumphante leve a palma

Da Morte Amor a grão pesar da ausencia,

Do tempo, da Razão, e da Fortuna.

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