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Como quando do mar tempestuoso

Como quando do mar tempestuoso

O marinheiro todo trabalhado,

De hum naufragio cruel sahindo a nado,

Só de ouvir fallar nelle está medroso:

Firme jura que o vê-lo bonançoso

Do seu lar o não tire socegado;

Mas esquecido ja do horror passado,

Delle a fiar se torna cobiçoso:

Assi, Senhora, eu que da tormenta

De vossa vista fujo, por salvar-me,

Jurando de não mais em outra ver-me;

Com a alma que de vós nunca se ausenta,

Me tórno, por cobiça de ganhar-me,

Onde estive tão perto de perder-me.

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