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Talvez o vento saiba

Talvez o vento saiba dos meus passos,

das sendas que os meus pés já não abordam,

das ondas cujas cristas não transbordam

senão o sal que escorre dos meus braços.

As sereias que ouvi não mais acordam

à cálida pressão dos meus abraços,

e o que a infância teceu entre sargaços

as agulhas do tempo já não bordam.

Só vejo sobre a areia vagos traços

de tudo o que meus olhos mal recordam

e os dentes, por inúteis, não concordam

sequer em mastigar como bagaços.

Talvez se lembre o vento desses laços

que a dura mão de Deus fez em pedaços.

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