Paquetá
Oh, ilha de Paquetá! eu me lembro de você,
de suas ruas adormecidas,
de suas praias de graciosos coqueiros,
dos sorrisos de suas crianças.
e dos sorrisos de seus jardins,
daquela sua praia,
humilde, pequenininha, boa,
com seus bancos de pedra
e seus cravos do ar.
“Praça do Senhor Bom Jesus do Monte”,
que, como envergonhada de sua humildade,
se recolhe
de frente para a imensidade
clara do seu horizonte,
praça que tem pendurada nos galhos
um letreiro com estas palavras
que na alma deixam doçura de mel:
“O pássaro disse:
“Antes de me aprisionar, olha-me bem…”
Na festa de São Roque,
nessa linda noite de domingo
cheia de luzes e cores
e de bandeiras ondulantes,
oh, ilha de Paquetá! Eu me lembro de você…
Vejo sua igreja
cheia de luzes trêmulas
e de velhinhas ajoelhadas.
Ouço a música de sua feira
e vejo as garotas que passeiam
de braços dados,
enquanto a lua se banha na praia…
Me recordo também daquele menino
que se aproximou para me pedir ao ouvido
“um dinheirinho para comprar uma cocada”,
e que, depois que eu lhe dei, me disse:
“Obrigado. O senhor é camarada”.
tradução de Igor Calazans